Património e memória
Inventário de manifestações, arquivos e testemunhos.
Arte & Cultura · Programa Cultural da CVDN
Identificar, documentar, preservar e valorizar as manifestações culturais de Cabo Verde — nas ilhas e na diáspora. Não apenas um festival: um ecossistema com arquivo, rede de artistas, educação e uma grande manifestação periódica.
Versão preliminar 1.0 (15/10/2026). Projeto concebido, protagonizado e orientado por cabo-verdianos. É um documento de trabalho: não constitui inventário histórico validado nem compromisso financeiro.
Cinco pilares
Inventário de manifestações, arquivos e testemunhos.
Músicos, escritores, bailarinos, artesãos, atores, fotógrafos e investigadores.
Todas as ilhas e as comunidades emigrantes.
Oficinas, materiais escolares e ligação entre gerações.
Remuneração, profissionalização, direitos de autor e comercialização.
Inventário das manifestações
Cada manifestação é registada como viva, histórica ou ameaçada de desaparecimento.
| Área | Inclui |
|---|---|
| Música | Morna, coladeira, funaná, batuque, finason, tabanka, kolá san jon, mazurca, contradança, hip-hop e rap crioulo, R&B, rock, reggae, jazz, música religiosa e expressões emergentes; compositores, intérpretes, instrumentistas, produtores, DJs e luthiers. |
| Dança | Danças tradicionais, batuque, tchabeta, coladeira, funaná, mazurca, contradança, dança contemporânea, dança urbana e coreografia. |
| Festividades | Carnaval, romarias e festas de padroeiros, São João, tabanka, festividades locais, celebrações marítimas e rituais comunitários. |
| Artes visuais | Pintura, escultura, cerâmica, tecelagem, cestaria, bordado, fotografia, gravura, muralismo, design e arte digital. |
| Literatura e línguas | Poesia, romance, contos, provérbios, adivinhas, literatura infantil, oralidade, variantes do kriolu e histórias da diáspora. |
| Gastronomia e saberes | Cachupa, xerém, cuscuz, pastel com diabo dentro, doçaria, bebidas, técnicas agrícolas, conservação de alimentos, pesca artesanal e utensílios tradicionais. |
| Outros campos | Teatro, cinema e audiovisual, arquitetura popular e património construído, moda, jogos e brincadeiras infantis, práticas comunitárias, saberes medicinais populares e património marítimo. |
Atlas Cultural Cabo-Verdiano
Cada manifestação terá uma ficha com descrição, história, distribuição pelas ilhas, variantes, instrumentos, protagonistas, arquivos e fontes. O exemplo inicial é o batuque.
Rascunho 0.1 · rascunho a validar pelo Conselho Nacional da Cultura. Cada afirmação tem fonte; o que não foi confirmado fica fora.
Género musical e dança de Santiago, considerado o mais antigo de Cabo Verde, executado tradicionalmente por mulheres (batukaderas) sentadas em roda, que cantam em pergunta-resposta e marcam o ritmo batendo num pano ou almofada (xabeta). É o único género cabo-verdiano polirrítmico, sobrepondo um ritmo ternário a um binário.
Ilhas (a validar): Santiago
Prática musical e coreográfica tradicional de Cabo Verde que junta voz, música, poesia e dança, cantada sobretudo em crioulo sobre o amor, a partida, a separação, o reencontro, a saudade, o mar e a terra-mãe. Foi inscrita em 2019 na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.
Ilhas (a validar): Santo Antão, São Vicente, São Nicolau, Sal, Boa Vista, Maio, Santiago, Fogo, Brava
Género musical e dança nascido no interior de Santiago, ligado ao acordeão diatónico (gaita) e ao ferrinho, uma barra de ferro raspada com uma faca. Dança-se a pares com flexões rápidas e alternadas dos joelhos. Foi classificado Património Cultural Imaterial Nacional por portaria do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, em vigor desde 10 de abril de 2024.
Ilhas (a validar): Santiago, Santo Antão, São Vicente, São Nicolau, Sal, Boa Vista, Maio, Fogo, Brava
Género musical e dança de salão a pares, em compasso binário, com temas de sátira, crítica social e humor, e mais tarde também de amor e política. Está perto de completar um século e é um dos géneros mais presentes na música cabo-verdiana, mas foi pouco estudado.
Ilhas (a validar): São Vicente, Santiago
Tradição festiva e género musical de Santiago, também presente no Maio, com cortejos ao som de búzios, tambores e apitos e canto em pergunta-resposta. Os participantes representam figuras sociais (rei, rainha, padre, cativos, médico, ladrão) e a tabanka funciona também como associação de entreajuda dos seus membros.
Ilhas (a validar): Santiago, Maio
Festa ligada a São João Batista, com cortejos de rua, tambores, apitos e a dança a pares em que os corpos se tocam no 'kola' (umbigada), ao ritmo do tambor. Celebra-se entre maio e junho, com o ponto alto a 24 de junho, sobretudo em Santo Antão (Porto Novo), São Vicente e São Nicolau, e também na diáspora.
Ilhas (a validar): Santo Antão, São Vicente, São Nicolau
Canto improvisado de Santiago, construído com máximas e provérbios educativos, que tradicionalmente formava a segunda parte de uma sessão de batuque. Aborda a vida quotidiana, o elogio e a crítica social.
Ilhas (a validar): Santiago
O carnaval do Mindelo, em São Vicente, é a festa cultural de maior destaque do arquipélago. Junta desfiles gratuitos de grupos na rua e a tradição dos Mandingas, figuras pintadas de negro, com saias de sisal e lanças, que saem da Ribeira Bote e fecham a festa com o 'enterro do carnaval' no mar.
Ilhas (a validar): São Vicente
Diretório Nacional de Artistas
A ficha de artista reúne nome, biografia, origem, percurso, especialidade, obras, fotografias, vídeos e contactos profissionais autorizados pelo próprio. Nada é publicado sem consentimento.
Componentes e governação
Contabilidade separada, seleção transparente e prestação periódica de contas.
Mostra periódica de música, dança, teatro, cinema, literatura, gastronomia, artesanato, fotografia, moda, tradições e inovação. Proposta: edição inaugural em São Vicente, com todas as ilhas e a diáspora, depois itinerante.
Governação proposta: Direção Nacional da CVDN; Conselho Nacional da Cultura (especialistas, investigadores e representantes culturais); áreas de arquivo, artistas, educação, tecnologia, eventos e finanças; representações nas dez ilhas e na diáspora — primeiro Portugal, Países Baixos e Estados Unidos. Cooperação com o Estado sem interferência editorial nem controlo da programação.
Implementação em doze meses (indicativa)
Equipa, regulamento, metodologia e coordenação.
Cadastro inicial de manifestações e artistas.
Versão inicial do Atlas Cultural.
Núcleos nas ilhas e primeiros países da diáspora.
Oficinas e mecanismos económicos-piloto.
Manifestação inaugural.
Metas iniciais a validar: 500 perfis de artistas e criadores · 100 manifestações e variantes documentadas · dez ilhas no levantamento · três países da diáspora. Prazos sujeitos a equipa, orçamento e disponibilidade.
Participar
Para entrar no cadastro, propor uma manifestação, partilhar arquivos ou apoiar o programa, escreve para info@cvdn.org ou pelo WhatsApp da CVDN ↗. Os direitos de autor, de imagem e de gravação são sempre respeitados.